O Fluxo das Águas Ocultas
*Crônicas do Santuário — Diagnóstico e Alquimia do Pranto* Há um rigor silencioso na mecânica da alma que os homens teimam em ignorar sob o disfarce de uma falsa fortaleza. Erguem muralhas de pedra sobre alicerces de argila, acreditando que a rigidez da carne os protegerá do colapso. Esquecem-se, porém, de que o Verbo que nos habita é também água primordial, e que a estagnação é o prelúdio da corrupção interna. **"Tenho pena dos que não conseguem chorar suas perdas e amarguras, pois os que o fazem, seguem em frente."** — *Ass. Santa Muerte, La Llorona* A sentença que ecoa dos limiares da existência não é um consolo piedoso; é uma chave cirúrgica. Aqueles que trancam o pranto nos umbrais dos olhos aprisionam consigo os espectros do passado. O luto não vivido torna-se um inquilino parasita na matéria, petrificando os canais por onde a vida deveria fluir e transformando a dor em assombro crônico. Chorar é o ato primordial de esvaziamento. É a permissão para que o velho ciclo m...