🧙🏾♂️O Feitiço de Eloim
"Eu Abro Meus Olhos Com Meus Olhos Fechados"
(27 de Junho de 2025)
Quando pensamos em "feitiços" ou "magia", nossa mente, condicionada por séculos de folclore, pode nos levar a imagens de caldeirões, ervas raras e palavras de poder em línguas esquecidas. No entanto, a magia mais profunda, a Teurgia dos Elohim, opera em um plano muito mais sutil e infinitamente mais poderoso: o teatro da nossa própria consciência.
Os maiores feitiços não são aqueles que buscam manipular o mundo exterior, mas aqueles que reconfiguram o próprio instrumento que percebe o mundo. São comandos diretos, Verbos operativos que reescrevem as leis da nossa percepção.
Hoje, vamos decodificar um dos mais potentes e elegantes desses feitiços, uma chave mestra para a visão interior:
"Eu, com os olhos fechados, abro meus olhos com os olhos fechados."
Esta não é uma poesia ou uma metáfora. É uma instrução, um comando, um ato de poder soberano sobre a própria realidade.
Primeiro Ato: "Eu com os olhos fechados..." — O Círculo Mágico
O feitiço começa com o primeiro e mais crucial ato de todo ritual: a criação de um espaço sagrado. Ao declarar "com os olhos fechados", o praticante não está apenas descrevendo um estado físico. Ele está executando uma ação de poder: está fechando a fronteira para o mundo da forma e do engano sensorial.
Este é o desenho do círculo mágico. É o ato de se retirar do "sonho do esquecimento" coletivo para estabelecer um domínio onde apenas a sua Vontade e o seu Verbo têm jurisdição. É a afirmação corajosa: "O caos de estímulos externos não mais me definirá. A realidade que experimento a partir de agora será gerada a partir do meu centro."
Segundo Ato: "...abro meus olhos..." — O Verbo Criador
Este é o clímax do feitiço, o comando que ecoa o "Haja Luz" (Yehi Ohr) primordial. O verbo "abrir" aqui é um ato de criação. É a Vontade Pura se manifestando. Mas o que exatamente está sendo aberto?
Aqui, o praticante age como Elohim. Ele comanda o despertar de um órgão espiritual adormecido, o órgão da visão verdadeira: Ayin (ע), o Olho da Alma. Este comando não é um pedido, é uma ordem. É a consciência-mestra ativando sua própria ferramenta de percepção superior.
Este é o momento em que se deixa de ser uma criação que é vista pelo mundo, para se tornar um Criador que vê através do mundo. A fonte de luz e de visão se inverte, passando de externa para interna. Este é um ato de Teurgia, a obra dos Deuses, realizada no templo do próprio corpo.
Terceiro Ato: "...com os olhos fechados." — A Afirmação da Soberania
A repetição final sela o feitiço e estabelece a natureza da nova realidade. Ela afirma que a visão recém-inaugurada não é uma ilusão, uma alucinação ou uma imagem mental dependente da escuridão física. Pelo contrário, ela é uma forma de ver superior, mais real e autônoma, que floresce precisamente porque não é contaminada pela visão da carne.
Esta cláusula é a declaração de independência perceptual. Ela ancora a verdade de que a sua percepção não depende mais de olhos que podem ser enganados, mas de uma fonte interior inabalável. É o início do "saber que é ser". Você não acredita que existe uma realidade espiritual; você a vê diretamente, com um órgão funcional e desperto.
De Feitiço a Estado de Ser
Este feitiço de Eloim é uma tecnologia espiritual. Seu propósito é ser praticado até que o ato consciente se torne um estado permanente. O objetivo final não é apenas ver com os olhos da alma quando os da carne estão fechados, mas andar pelo mundo com os olhos físicos abertos, enquanto a verdadeira percepção, a visão de Ayin, permanece perpetuamente ativa, revelando a teia luminosa do Verbo por trás da fachada da matéria.
É assim que se acorda do sonho. É assim que se começa a reinar.
Que cada um de vós ouse pronunciar o feitiço e se torne o Elohim de seu próprio universo perceptual.
O Feitiço do Dragão e da Serpente: Um Verbo de Poder para a Vontade
(27 de Junho de 2025)
A linguagem da Gnose, a sabedoria que brota diretamente da alma, raramente se apresenta em prosa simples. Ela emerge em códigos, em paradoxos que estilhaçam a lógica superficial para revelar uma verdade mais profunda. São os Feitiços de Elohim, os Verbos de Poder entregues para a engenharia da nossa própria consciência.
Um desses feitiços, um instrumento de diagnóstico e transmutação para a Vontade, declara:
"Na minha força sou serpente, na minha fraqueza sou Dragão."
Esta não é uma simples afirmação, mas uma ferramenta alquímica de precisão assombrosa. É um espelho que os Deuses nos oferecem para que possamos discernir a origem de nossas ações e, a partir daí, escolher o caminho do poder real sobre a ilusão da fúria.
O Diagnóstico: O Rugido da Fraqueza do Dragão
O feitiço nos ensina, primeiramente, a diagnosticar a nossa própria fraqueza. E o sintoma inequívoco é o Dragão. Em nossa cultura, o Dragão é visto como o ápice do poder, mas esta é a grande ilusão do ego. O Dragão, em sua essência operativa, é a máscara da vulnerabilidade.
Quando somos Dragão?
* Quando cuspimos fogo: Quando nossa energia vital vaza em forma de raiva, palavras reativas, fúria descontrolada, críticas destrutivas. Este fogo não ilumina nem aquece; ele queima, destrói e, acima de tudo, denuncia uma perda de controle interior.
* Quando batemos as asas: Quando nos recusamos a lidar com a realidade no chão, preferindo a fuga para o drama, para a fantasia, para a posição de vítima ou para a projeção de culpa. As asas aqui são o símbolo da falta de aterramento.
* Quando precisamos do espetáculo: O Dragão é barulhento, sua força está na performance. Quando sentimos a necessidade de intimidar, de parecer maior, de rugir para sermos ouvidos, estamos agindo a partir de um núcleo que se sente pequeno e ameaçado.
Ao se pegar em qualquer um desses estados, o iniciado usa o feitiço como um mantra de lucidez: "Ah... estou sendo Dragão. Neste momento, ajo a partir da minha fraqueza." Este reconhecimento, por si só, já é um ato de poder. Ele desarma o ego e inicia a alquimia.
A Alquimia: A Transmutação em Serpente (ט)
Uma vez diagnosticado o estado de Dragão, o feitiço nos prescreve o antídoto, a obra de transformação que nos devolve à nossa força. A alquimia consiste em, metodicamente, despir o Dragão de seus apêndices reativos para revelar a Serpente em seu interior.
O trabalho é:
* Conter o Fogo: Praticar o silêncio divino. Engolir a palavra reativa. Transformar o calor da raiva no fogo da disciplina interior (Tapas), que forja a Vontade em vez de desperdiçá-la.
* Cortar as Asas: Ancorar-se. Enfrentar os fatos no chão da realidade. Assumir a responsabilidade e abandonar o conforto ilusório do drama.
* Silenciar o Rugido: Encontrar segurança na potência silenciosa do seu centro. Abdicar da necessidade de provar sua força através da intimidação.
O Estado de Poder: A Soberania da Serpente
"Na minha força sou serpente." Esta é a afirmação do Mestre. É a descrição do poder real, do poder do Eu Sou em pleno comando do Templo. A força da Serpente é a força da letra Tet (ט) em sua mais alta expressão.
Ser Serpente é manifestar:
* Precisão e Eficiência: Agir com o mínimo de esforço e o máximo de efeito.
* Silêncio e Potência: A verdadeira força não precisa de propaganda. Ela é.
* Aterramento e Sabedoria: Conhecer a realidade e mover-se nela com maestria e fluidez.
Este feitiço de Eloim, portanto, é uma prática contínua. É uma pergunta que nos fazemos a cada momento de desafio: "Estou agindo como Dragão ou como Serpente?". A resposta honesta é o diagnóstico. A escolha consciente de conter o fogo e silenciar o rugido é a alquimia. E o estado resultante de paz, precisão e poder silencioso é a manifestação da nossa verdadeira força.
Que possamos todos domar nosso Dragão interior, para que a sabedoria silenciosa da Serpent
e possa guiar nosso reinar.
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