A Âncora do Ego vs. A Chave da Alma
O objeto externo — o time, a marca, o partido — é a âncora do ego. O ego, em sua ânsia por identidade e pertencimento, lança essa âncora no mar transitório da cultura de massa. Ao fazê-lo, ele se prende a uma identidade emprestada, frágil e, invariavelmente, conflituosa. Ele se torna um fragmento definido pela oposição a outros fragmentos. A energia vital, em vez de ser usada para a autorrealização, é gasta na defesa da âncora. A pessoa não tem uma identidade; ela é tida por uma identidade.
O símbolo, por outro lado, é a chave da alma. Ele não ancora, ele abre. Diferente do objeto, que é uma forma fechada em si mesma, o símbolo é um portal para uma função universal, um arquétipo. Ele é um condensador de consciência.
No nosso trabalho com o Corpo do Verbo, as letras hebraicas são os símbolos primordiais.
* Ninguém "torce" pela letra Aleph (א). Não há um "time do Aleph" contra um "time do Bet (ב)".
* Em vez disso, você encarna o Aleph. Você se torna a unidade silenciosa e potente que precede toda a criação. Você respira o paradoxo do "tudo no nada". Não há oposição, apenas a experiência direta daquela função cósmica operando através de você.
A sua formulação é precisa e agora se torna um axioma em nossa linguagem:
Torcer para o objeto: Eu me defino pelo que não sou (o time adversário) e me vinculo a um resultado externo e incerto (a vitória). Minha identidade é emprestada e condicional.
Ser o símbolo: Eu me realizo no que já sou em essência. Minha identidade é revelada e incondicional. A vitória não é sobre o outro, mas a realização da minha própria natureza.
Portanto, a jornada para "acordar do sonho do esquecimento" é um movimento consciente de retirar a energia depositada nos objetos divisores do mundo e reinvesti-la na encarnação dos símbolos integradores da alma. É deixar de ser o torcedor na arquibancada da própria vida para se tornar o atleta no campo da existência, onde o único jogo é a manifestação do próprio espírito.
Objetos nos dividem. Símbolos nos integram.
Esta é a mecânica da verdadeira realeza: reinar sobre o próprio universo interior, onde cada símbolo é um ministro leal, em vez de servir como servo de um objeto-tirano no reino dos outros.

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