O Decreto do Cortador de Sombras e a Forja do Retorno
Preparação e Ancoragem
(Em um local tranquilo, acenda uma vela preta ou vermelha. Tenha à frente um copo com água pura e uma peça de ferro ou chave antiga. Respire fundo, convocando o peso do rigor e o domínio temporal de Saturno, alinhados à velocidade, astúcia e precisão cirúrgica do Verbo regido por Mercúrio.)
I. A Invocação das Águas e do Limiar
"Em nome das Mayim Qadmonim, as Águas Primordiais que antecedem a forma, eu me coloco agora na Encruzilhada Sagrada.
Chamo o Guardião, o Senhor dos Caminhos, o Petach (a Porta), aquele que vibra antes do Verbo e move as marés do destino.
Laroyê, Exu! Que sua presença dissipe a ilusão e revele a estrutura oculta das coisas.
Mojiubá! Que o respeito abra as portas da luz e feche as brechas do Sitra Achra, o Outro Lado."
II. O Corte da Besta (Desarmamento)
"Eu vejo a sombra que se aproxima com falsos chifres e cauda sorrateira.
Arquétipo da inveja, entidade da calúnia, forma-pensamento do mal: eu te desautorizo.
Com a lâmina afiada da Justiça (Gevurah), eu corto o teu chifre, anulando a tua agressão cega.
Com a tesoura da Verdade, eu corto o teu rabo, desarmando a tua rasteira e o teu veneno oculto.
Tu não tens poder sobre a minha estrutura. Tu não tens acesso à minha essência."
III. A Transmutação (O Banquete do Guardião)
"O que foi cortado, eu não guardo. Eu não temo.
Eu entrego esta carne densa, este resíduo de treva, à boca do Guardião.
Come, Exu. Devora esta energia estagnada.
Que o teu fogo interno a digira, a desmonte até a sua raiz mais profunda, e a reduza a cinzas férteis.
O que era veneno, torna-se alimento. O que era bloqueio, torna-se Axé.
Tu és a Sentinela do Abismo, e nada do que é denso passa por ti sem ser purificado e devolvido ao caos primordial."
IV. A Forja do Retorno (O Chicote do Verbo)
"E da língua que sussurrou a maledicência nas minhas costas, eu uso a lâmina da palavra para forjar o chicote da Lei.
Pela autoridade suprema e inabalável de Saturno, o Senhor dos Limites, do Tempo e do Rigor Inflexível, e pela virtude de Mercúrio, o Mestre da Linguagem, da Velocidade e do Sopro da Mente:
Que o ruído emitido retorne à sua fonte de origem, dobrado pela física da retribuição.
Que a mente que gerou a sombra seja colhida pela sua própria densidade.
Sob esses dois selos planetários, o vetor da correção encontra o alvo sem errar, reestabelecendo a ordem suprema."
V. O Selamento (Ancoragem do Verbo)
"Por minha Neshamah, por minha memória ancestral e pelo sigilo sagrado que carrego no peito.
Pelo Decreto de Saturno e pela Chave de Mercúrio:
O caminho está fechado para o mal.
O caminho está aberto para a luz.
Está cortado. Está devorado. Está transmutado.
Está feito, está selado, está gravado nas tábuas do destino.
Assim é, e assim será.
Laroyê, Exu! Axé!"
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